Truque de Mestre 3 é o Truque Mais Fraco da Saga (CONTÈM SPOILER)
- Nicole Micheletti
- 17 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Com CGI exagerado, trama inconsistente e uma revelação que destrói a lógica dos filmes anteriores, o longa perde tudo o que tornava a franquia especial.
Nicole Micheletti

Por favor, parem, Hollywood.
Novamente estragando uma saga incrível de filmes.
Logo de cara, vamos falar que no site Omelete, o filme recebeu nota 3/5. Em outra crítica, o site Tangerina informa que o longa alcançou cerca de 59% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes. A julgar por esses números, parece que a recepção não está à altura da franquia. E não é difícil entender o porquê.
Decepção é a sensação exata ao sair do novo Truque de Mestre (2025). O filme é um suspiro cansado de quem viu algo que já foi ousado, inteligente e inesperado virar um show de truques preguiçosos embalados em CGI brilhante. Obviamente não é o pior filme da história, ele até serve como entretenimento rápido, especialmente porque sentimos saudade dos personagens.
Mas, depois de assistir ao primeiro e ao segundo, fica evidente que ele se perdeu justamente no que fazia a mágica ser mágica. Ao invés de truques engenhosos, aparecem truques que não têm nada a ver, não fazem sentido e quebram totalmente a lógica divertida dos filmes originais.
A força da franquia sempre esteve na ilusão física. Nos truques que pareciam possíveis, mesmo quando eram absurdos. Era gostoso assistir porque você sabia que existia um ilusionista por trás, alguém pensando em desvio de olhar, engenharia reversa, manipulação de palco. Era truque feito no palco, não no computador. Os Cavaleiros eram ladrões-charlatões e esse charme era justamente o diferencial.
O novo filme joga tudo isso fora sem nem pensar. Os truques agora são rasos, parecendo demonstração de tecnologia em eventos, com projeções de luz, hologramas básicos e efeitos que não exigem nenhuma habilidade, só um computador potente. E vale ressaltar que o problema não é usar tecnologia, é usar isso no lugar da mágica de verdade. Quando tudo vira efeito digital, o lado humano desaparece.
E isso afeta tudo no filme. As cenas deixam de ter qualquer tensão real porque não existe mais a sensação de risco. Antes, a graça era tentar entender como eles tinham executado cada truque. Agora, a única pergunta que vem à cabeça é “qual efeito de computador eles usaram para fazer isso?”. O charme dos personagens também se perde. Eles eram interessantes justamente porque eram trapaceiros talentosos, com truques feitos na prática. Neste novo capítulo, parecem apenas usuários de efeitos visuais, fazendo coisas que qualquer estagiário de pós-produção conseguiria entregar em pouco tempo.
E aí chegamos à reviravolta final, que em vez de surpreender, destrói ainda mais o que restava da lógica da franquia. A revelação de que Charlie, na verdade, é parte da família Vanderberg que era a familia que queriam roubar e expor. Charlie organizou toda a vingança, inclusive se passando pelo próprio Olho para convocar os Cavaleiros, o que deixa tudo mais incoerentes no filme. Isso tira completamente o protagonismo dos personagens principais e ainda desvaloriza os dois filmes anteriores. O Olho sempre foi apresentado como uma organização secreta, poderosa e extremamente criteriosa, responsável por orquestrar truques enormes e selecionar os melhores ilusionistas.
Como alguém simplesmente consegue se passar por eles? Se qualquer pessoa pode fingir ser o Olho, então nada mais tem sentido. Essa revelação desmonta a base da franquia e transforma o que antes era uma instituição quase mítica em algo frágil e mal escrito.
A narrativa tenta recuperar a energia e o ritmo dos dois primeiros filmes, mas não consegue porque tudo soa artificial. A história segue a estrutura tradicional da franquia, mas sem profundidade. Falta o jogo de estratégia, falta aquela sensação de estar acompanhando o truque sendo montado peça por peça. Isso sempre foi parte da diversão, ver o plano tomando forma diante do público. Aqui, essa experiência desaparece.
Para tentar compensar, o filme aposta em diálogos rápidos, algumas perseguições e muita nostalgia. Mas nostalgia usada como muleta não resolve o problema. Ela só disfarça o vazio por alguns minutos. Quando esse efeito passa, fica claro que algo essencial foi perdido.
No fim, a minha conclusão é que Truque de Mestre não precisava seguir por esse caminho. A franquia tinha um estilo muito próprio, mágica feita de verdade, golpes bem planejados e uma pegada mais suja e prática, que dava personalidade ao conjunto. Ao trocar isso por truques digitais simplórios e por uma reviravolta que contradiz tudo o que foi estabelecido antes, o filme perde sua identidade. O resultado é um capítulo que até diverte em alguns momentos, mas não conquista.
E quando a mágica não conquista, ela vira só um efeito visual. E quando o truque não surpreende, vira só um recurso de tela. É decepcionante ver uma saga que tinha tanta personalidade virar apenas mais um filme genérico de Hollywood, justamente porque aquilo que a tornava especial nunca foi o brilho e sim o trabalho real por trás dos truques.
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